Bruno Julião, candidato ao Parlamento Europeu pelo PS

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1)       As sondagens para as Europeias são em geral pouco fiáveis, dada a taxa de abstenção. Parece contudo certo que a dúvida para o PS estará entre eleger 8 ou 9 deputados. Que leitura faz da redução previsível do nº de eleitos do PS, mesmo sabendo que a delegação portuguesa será menor, em comparação com o que já parece líquido ser a subida do BE para 2 deputados e a manutenção da CDU? Está a maior ameaça ao PS à sua esquerda?

 

De facto, nestas circunstâncias, as sondagens podem não prever a realidade com rigor, contudo devo realçar algo que é comum em todas: a vitória do PS. Parece que se vê isso hoje de forma tão natural que só se fala no número de eurodeputados. O que está em causa é conseguirmos um novo equilíbrio de forças no Parlamento Europeu, dominado pela maioria do PPE (CDS+PSD). A crise decorre de um ideário de fraca intervenção dos Estados e dos instrumentos reguladores, claramente associado ao PPE. Como tal, urge mudar para uma força com capacidade para decidir de forma mais progressista, equilibrada, valorizando a construção europeia. Penso que a maior ameaça à Europa está na manutenção do status quo e das receitas conservadoras que conduziram à crise. Receio também que a esquerda radical (CDU+BE com programas coligados nas Esquerdas Unidas) não seja suficientemente europeísta para ter vontade de sequer apoiar uma maioria relativa do PSE. A solução está no programa do PS que pretende mudar a Europa e combater a crise de forma realista.

 

 

2)       Que leitura faz da escolha de um independente como Vital Moreira para cabeça de lista, e que avaliação até ao momento pensa ser possível fazer da interacção entre Vital e Paulo Rangel?

 

É um sinal de abertura do PS ter escolhido um independente, sendo que Vital Moreira já é, há muito, próximo do PS, no plano das ideias. É um europeu federalista convicto. Tem capacidade pedagógica, um discurso escorreito, organizado e completo sobre a Europa. É o tipo de pessoa que precisamos para que a generalidade dos cidadãos entenda as questões europeias e se interesse por elas. Conciliar as pessoas com a Europa, não pode ser só retórica gasta e não se concretiza com soundbytes. Noto também a lisura com que trata e se distingue dos adversários eleitorais. Paulo Rangel foi escolhido porque é um profissional do ruído a combater o PS, porque faz jogos de palavras, porque diz piadas, em vez de construir ideias de combate à crise.

 

 

3)       Pessoalmente, acha que o PSE deveria apresentar um candidato próprio à Presidência da Comissão Europeia, mesmo para perder se o PPE se mantiver como o mais votado? Que avaliação faz do consulado de Barroso?

 

Em meu entender, é sobretudo uma discussão prematura, devendo ser debatida por todos os partidos integrantes do PSE, após as eleições. Há sempre aspectos negativos e positivos. É importante que o próximo presidente pretenda uma Europa na linha da frente da luta contra a crise, pela paz, que contrarie as alterações climatéricas e que aposte na sociedade do conhecimento, enquanto instrumento prioritário de afirmação da Europa no mundo. Para isso é também necessário ser pró-activo nas instituições mundiais onde tem assento.

 

 

4)       Na sua perspectiva, a rigidez institucional do BCE quanto à política monetária e a obsessão com os défices, constituem traços que marcam o que já se sabe ser uma retoma mais lenta da Eurolândia no contexto da crise internacional? O que pensa que deveria mudar nas instituições comunitárias para fortalecer a capacidade de resposta da Europa à crise?

 

Penso que o PEC condiciona de forma excessiva os Estados e deve ser reorientado para o combate à crise e ao desemprego. O Banco Central Europeu vive demasiado obcecado com estabilidade de preços. Neste sentido, exige-se que a arquitectura económica europeia mude de estratégia. É preciso garantir que os próprios mercados financeiros sirvam a economia real, o crescimento económico e a criação de emprego aproveitando, por exemplo, a Estratégia de Lisboa. Para além disso há que aumentar a regulação, combater a estagnação e relançar a economia de forma conjunta e sustentável.

 
 
Em meu nome e da PNETPolítica, agradecemos a Bruno Julião a disponibilidade e cortesia com que nos concedeu esta entrevista.
(entrevista conduzida por Carlos Santos

  

Colocado por: Carlos Santos  |  30 de Maio de 2009  |  Ver mais Entrevistas

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